quinta-feira, 5 de março de 2020

Homens da Carne




Homens da Carne

São pobres imbecis passando pela vida
Quais restos de molambo fétido do mal,
Rolando ao turbilhão, à força da caudal
Que os séculos vêm banhando de água apodrecida.

De vício pela lama de alma enegrecida,
Desprezam o sublime pelo que é banal
E quando a morte, um dia, tragá-los fatal,
Verão ter a existência em vão sido vivida.

Qual a planta que nasce em pedra e vê tolhida
A sua ascensão no mundo como vegetal,
Do sol pelo calor bem cedo ressequida,

Assim estultos são os que, no lamaçal,
Tão simplesmente vivem a vida sexual
Com a inteligência em trevas, pobre, embrutecida.

J. Siebra

terça-feira, 3 de março de 2020

O Cruzeiro



O Cruzeiro

Filhos meus que, de braços levantados
Com vossos instrumentos de pedreiro,
Fizestes em pedaços meu CRUZEIRO,
Feristes-me também, ó desalmados.

Da rocha esculturada, mensageiro
Aos pósteros dos seus antepassados,
Esta herança de tempos tão honrados
Viu chegar o seu dia derradeiro.

A vós, que cancelastes tão sagrados
Esforços dos filhos já passados,
Em no solo tombando o meu CRUZEIRO.

Eu desafio, ó braços afamados,
Tirai do céu também este CRUZEIRO
Que brilha sobre o pobre brasileiro.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Julgamento do Rico



Julgamento do Rico

Cristo: Tive fome e comida não me deste.
            Andei nu e tu nunca me vestiste.
            Fui preso e na prisão tu não me viste.
            Senti sede e dar-me água não quiseste.

O rico: Mas quando andaste assim, SENHOR, sem veste
            E quando fome tu, Deus meu, sentiste?
            Em que prisão me dizes que dormiste
            E qual o dia em que sede tu tiveste?

Cristo: No teu Brasil milhares não tem casa.
            Sofrem com fome e a sede lhes abraça.
            Vivem despidos e gemem na prisão.

            Pois cada pobrezinho brasileiro
            É um outro eu, um Cristo verdadeiro.
            Por desprezá-lo não terás perdão.

Crato- CE, 31.12.1963
J. Siebra