sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Poema sem Título



 (Sem título)
 José Siebra de Oliveira, Crato 7/11/1950

Outros átomos de luz, outras gotinhas
Mais três enfim que caem do infinito
Na vida, grande bloco de granito,
Zé Aderson, Eduardo e Stelinha.

De todos eles sua alma é uma estrelinha,
Em seus olhos tão puros, quando os fito,
Um mundo de belezas infinito
De cada um eu vejo na sua alminha.

Fazei-os, meu Deus, bem caridosos,
Bem amantes da Pátria e ardorosos
Soldados da cruz e filhos teus.

Que eles conservem sempre esta candura
Prefiro vê-los ir p'ra a sepultura
Do que com crimes Te ofenderem, ó Deus!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Fragmento sem Título sobre o Crato



José Siebra de Oliveira
(sem data)

          Não posso sentar-me naquela nuvenzinha que, sem companheiras, vejo ficar no centro do céu. Além disto, faltam-me máquina e filme sobrenaturais.  
            Impossível é pois a convergência da luz em seus Três Tempos, antes, agora, depois, tanto da que procede do espírito como da que tem princípio na matéria.
            Absurdo seria então querer kodaquizar, num milagroso instantâneo, o meu Crato, não só em sua topografia, nas linhas geométricas de suas construções e de seus acidentes, na expressão artística e histórica das obras que cristalizam a inteligência, a vontade e a energia do povo, mas no seu todo, no seu passado, no seu presente e no seu futuro, no estado e efervescência de suas almas, no sentir e no agir dos homens, nas relações de necessária dependência entre o que foi, o que é e o que será, pois só na eterna imobilidade do Primeiro Motor, Deus, é uno e atual o passado, o presente e o futuro do ser em todas as suas realizações.
            Subirei, entretanto, em espírito e, sem ver o passado e não enxergando o futuro, de lá ditarei, para que o meu braço grave no papel, nas pinceladas que se fizerem possíveis, apenas os maiores relevos da matéria e do espírito que, atualmente existentes, vendo, do alto, um olho e telepatizando um cérebro, pudessem se estampar na tela límpida de uma consciência.
            É uma tarde de segunda-feira, bonita e agradável.
            Uma gaze safírica, tecida de camadas atmosféricas e fios de luz solar, vela o abismo dos espaços e a face das estrelas, caindo, em círculo, nas chapadas das serras que contornam o vale.
            No fundo glauco e soberbo, à música harmônica dos rios, do vento, das aves, dos animais, das folhas secas, da enxada, da foice e do machado do camponês, do estrondear dos comboios e das boiadas nos caminhos poeirentos, do choro dos carros de boi, da bigorna do ferreiro, dos gritos estridentes do flandre às marteladas do flandreiro, das buzinas dos caminhões e dos automóveis, do gemido das fábricas, do serrote do carpinteiro, dos ais angustiados da colher do pedreiro que corta o tijolo, do bate-boca do metro na loja de fazendas e do litro e da balança na bodega e na feira, do martelo do sapateiro, da voz plangente dos sinos, do ruído da máquina da costureira, do tear da tecedeira, da pedra da lavadeira, do ferro da engomadeira, do prelo na tipografia, da pena do jornalista que dança no papel, do folhear dos livros do professor e do aluno, do tinido surdo dos terços nas igrejas e nos lares, com o dinamismo da instrução e ao calor da fé e do patriotismo, de mãos dadas nas estradas às suas irmãs, Juazeiro e Barbalha, ruída a muralha do orgulho que as separava, Crato, vanguardeira do Cariri, princesa vetusta, baila no jardim matizado de seus campos floridos e de coloridos feéricos, a ciranda da evolução.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Cinco e Um



Cinco e Um

José Siebra, em 6-7-53


Silete das meninas é a primeira
Ativa, inteligente, estudiosa
Stela é a segunda, é ardilosa
Sagaz, ineludível e bem matreira.

Zé Aderson, terceiro da fileira
Caráter nobre e de alma generosa,
Zé Eduardo a natureza tem ardorosa
Penúltimo na descida da ladeira.

Fechando a chave de ouro agora vem,
É aquela que a todos querem bem,
Simpatia em pessoa, a buliçosa,

A meiga Gorettinha, inteligente.
Mais um vem vindo, que, em setembro à frente,
Verá a luz, não sei se cravo ou rosa. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Faltou-me a musa

Faltou-me a musa

José Siebra

Tu queimas como brasa, peraltinha,
A minha alma com os teus lindos olhinhos.
O teu meigo sorriso, os teus dentinhos,
Ferem dentro da gente, Gorettinha.

Travessa és muito e bem perigosinha,
De todos conquistastes os carinhos,
És inocente como os passarinhos
E muito encanto tens na tua alminha.

Um abraço apertado eu quero dar
E os teus ossinhos todos bem quebrar,
Disto sinto uma forte tentação.

Só assim meu desejo matarei
E mostrar ao mundo inteiro poderei
O amor que te quer meu coração.

Crato, 6/7/1953

Adeus Bahia!


Adeus Bahia! 

Nosso ônibus corria, sim, corria,
A minha alma em tristezas mergulhava
Enquanto lá bem longe se ocultava
A plúmbea silhueta da Bahia.

A minha alma chorou porque doía
Aquele adeus que a todos maltratava,
Meu coração trancou-se porque amava
A terra feiticeira da Bahia.

Adeus, Bahia, terra de Iaiá,
De Ioiô, do caruru, do vatapá,
Terra do canjerê, do candomblé,
Cidade do abará, do acarajé.

Ao Senhor do Bonfim vou implorar
E a ti, divina terra, hei de voltar.

Bahia, 9/9/1950
José Siebra

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Saudades da Bahia

Saudades da Bahia
(música de frevo)

Nas águas do São Francisco
Se eu pudesse ficaria
Pra não deixar de avistar
As terras da minha Bahia.

Mas que pecado fizemos,
Sendo assim tão castigados,
Para o Ceará e a Bahia
Viverem bem separados.

De entre os dois o Pernambuco
Se pudesse eu arrancava
E o meu Ceará à Bahia
Num grande abraço ligava.

Bahia 11/09/1950
José Siebra

terça-feira, 19 de julho de 2016

Saudades



 Saudades

(à minha esposa e filhos)

É muito boa a terra da Bahia,
É lindo o panorama, é boa a gente,
Tudo me agrada, mas não sai da mente
Dos meus esta lembrança, noite e dia.

É belo tudo o que vejo na frente,
Nos céus, no mar, nas ruas da Bahia,
Mas no meu riso, ao ver, ninguém diria
Que n'alma estou sofrendo dor pungente.

Da esposa e dos filhinhos não me esqueço,
Nas águas da saudade já pereço,
Desejo voltar logo ao meu rincão.

Aqui distante vou de minha terra,
Sofro estas dores que o meu peito encerra,
Pulsando de saudade o coração.

Bahia, 7-9-1950

José Siebra