terça-feira, 3 de março de 2020

O Cruzeiro



O Cruzeiro

Filhos meus que, de braços levantados
Com vossos instrumentos de pedreiro,
Fizestes em pedaços meu CRUZEIRO,
Feristes-me também, ó desalmados.

Da rocha esculturada, mensageiro
Aos pósteros dos seus antepassados,
Esta herança de tempos tão honrados
Viu chegar o seu dia derradeiro.

A vós, que cancelastes tão sagrados
Esforços dos filhos já passados,
Em no solo tombando o meu CRUZEIRO.

Eu desafio, ó braços afamados,
Tirai do céu também este CRUZEIRO
Que brilha sobre o pobre brasileiro.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Julgamento do Rico



Julgamento do Rico

Cristo: Tive fome e comida não me deste.
            Andei nu e tu nunca me vestiste.
            Fui preso e na prisão tu não me viste.
            Senti sede e dar-me água não quiseste.

O rico: Mas quando andaste assim, SENHOR, sem veste
            E quando fome tu, Deus meu, sentiste?
            Em que prisão me dizes que dormiste
            E qual o dia em que sede tu tiveste?

Cristo: No teu Brasil milhares não tem casa.
            Sofrem com fome e a sede lhes abraça.
            Vivem despidos e gemem na prisão.

            Pois cada pobrezinho brasileiro
            É um outro eu, um Cristo verdadeiro.
            Por desprezá-lo não terás perdão.

Crato- CE, 31.12.1963
J. Siebra

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Minha Vida em Três Tempos…



Minha Vida em Três Tempos…
 J. Siebra

Gélido e escuro vejo o meu passado,
Como se fosse coisa inexistida,
Nesta estrada dos anos percorrida,
Que é só de sombra e tempo esperdiçado.

Sob o peso de dores recurvado,
De pesares, sem ter tido guarida,
Das amarguras por mim tanto vividas,
Olho o futuro e fico desolado.

Futuro incerto, chega inesperado,
Neste presente que é logo tragado
Pelo não ser que tem fome incontida,

De o futuro ver nele mergulhado,
De ver, em morte, a vida convertida,
De ver o tempo destruindo a vida.