domingo, 16 de agosto de 2020

Transformação

 

Transformação

 

Aderson Siebra de Oliveira

 

            Criança, foste pobre em berço rico, a natureza.

            Habitaste choupanas e taperas.

            Tuas noites, então, eram de trevas, pois que só de sol a luz é que existia ou a da lua que, por vezes, te banhava.

            Lá no céu, porém, longínquo já diziam do teu futuro de pompas e de galas os oráculos das estrelas que brilhavam ornando o teu sólio de princesa.

            Sangue em tuas veias pouco havia, mas já eras soberana, venerada pela brisa do levante, pelo viço dos teus campos, pela fragrância de tuas flores.

            Hoje a luz já te alumia.

            Em tuas veias já corre o rubro sangue dos valentes cratenses do passado, neste povo que te honra no presente.

            Criança ainda és, no entanto, minha terra.

            Alimentam-te as águas dos teus rios, que do seio materno do Araripe brotam, cantando a história dos teus guerreiros bravos.

            Hoje és a mais bela.

            Tuas gerações vão se fortalecendo e tua glória, no futuro, se aproxima e com ela sonhas repousando a cabeça na serra majestosa.

            Vês algumas pétalas, ensanguentadas por crimes, caírem das almas dos teus filhos e outras, numerosas, brotarem belas de virtudes.

            Verde, todavia, é tua esperança como é verde o manto que te envolve.

            Criança és ainda, em berço esplêndido, ouvindo o canto suave do poeta, sentindo o sopro da brisa vagarosa na dobra dos teus campos.

            És grande, és rica, és forte minha terra e, no futuro, serás gigante.

 

 

Crato-CE, 15.05.1942

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Aliete

Aliete

 

Alada és, ó deusa vaporosa,

Lábios risonhos, faces flamejantes,

Íris de sol, de luz e de calor,

É bela a tua alma, é ardorosa,

Tens mil encantos nela fascinantes

E é nos olhos teus que encontro amor.

 

Se mergulho na tua alma, o que vejo!

Ímã de mil mistérios estonteantes.

É neles que me perco embriagado.

 

Banhando-me de luz, amo e desejo

Rasgar o véu de teus olhos faiscantes

Afundando-me neles, extasiado.

 

Crato, 26/11/1950

 

José Siebra de Oliveira