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sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Passado e Presente

 


Passado e Presente

 

Aderson Siebra de Olveira

 

Sou eu Maria. Nesta triste hora

Falar-te quero deste sofrimento,

Pois que me volta sempre o pensamento

De uma alegria desfrutada outrora.

 

Triste minha alma sonhadora chora,

Desta jornada em lúgubre momento,

Ao ver-me mergulhado no tormento

Desta saudade que em meu peito mora.

 

Sou eu Maria. Vou cantar-te as dores

Que no meu peito já teceram ninho

Neste martírio que me faz horrores.

 

Sozinho, eu sigo nestes meus caminhos.

Por entre galhos que me deram flores

E lançam hoje sobre mim espinhos.

 

Crato-CE, 27-9-1944

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Adeus de Namorados

 


Adeus de Namorados

 

Aderson Siebra de Oliveira

 

Adeus Maria! A hora da partida

Se aproximando vem celeremente,

Esmagando-me o ser acerbamente,

Roubando, nesta vida, a minha vida.

 

No olhar da aurora, tão cedo, querida,

Sinto ruírem na minha alma ardente,

Os meus castelos que me erguia a mente.

Como maltrata a dor da despedida!

 

Vê Maria! Profundas cicatrizes

Deixarás em minha alma bem gravadas,

Pois que bem se aprofundam suas raízes.

 

Relembrarei as noites teatrais,

Alegrias e glórias já passadas

De horas felizes que não voltam mais.

 

Crato-CE, 23-9-1944

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Luar

 


Luar

 

Aderson Siebra de Oliveira (poeta caririense, irmão de José Siebra de Oliveira)

 

Tão vagarosa a lua vai surgindo,

Enquanto a brisa no relvado dança

E a flor do prado tão gentil balança,

Aos céus distantes seu perfume unindo.

 

E se derrama pelo solo infindo

E nas palmeiras a sua luz entrança.

Sente o poeta tão grande bonança,

Cantando versos com prazer sorrindo.

 

Este poeta que, cantando agora,

Relembra a vida que se foi de outrora,

Nas lindas noites desta mesma lua.

 

Aqui sentado nesta praça ornada

De tantas flores, toda enluarada,

Fitando vive a formosura sua.

 

Crato-CE, 13-5-1944